Fecho os olhos
E vejo-te, ó Deusa
Sheela Na Gig escancarada
Engole-me de regresso
Ao calor verde
Do ventre da Terra
Máe Kali negra
Lingua encarnada
Estendida em convite
Piscando-me seu olho raiado
Enquanto dança extasiada
Sobre um Shiva relaxado
E Nuut estrelada
Aconchega-me
No seu manto brilhante
Da noite cerrada
Beijada pela lua
Luminosa Luzia
Maga luzidia
Iluminando caminhos
E encruzilhadas
Por teixos ladeadas
Hecate acompanhada
E Cangeio de guarda.
Colo de Mãe
Calle-Beira
Recolhendo as chuvas
No ventre da montanha
Para encher Neiva
Serpenteando
De mimos soalheiros
Logo ao raiar da poupa
Exuberante
Que me há-de acordar
Até à proxima estação fria...
Não durmo
Mas sossego o cansaço
No teu regaço, ó Senhora.

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